O fim das transmissões das sessões da Câmara Municipal de Jales pelo rádio e pela internet, ocorrido a partir do dia 3 de agosto, causou uma queda significativa na produção parlamentar nas sessões seguintes, por conta da perda de visibilidade do trabalho dos vereadores. Como a frequência de eleitores presencialmente é exígua, é o rádio e a internet que trazem repercussão aos debates durante as sessões e sem a transmissão, o interesse despenca.
Levantamento feito pelo Jornal A Tribuna com base nos resumos oficiais das sessões ordinárias de julho e agosto de 2026 mostra a evolução do período antes do fim das transmissões. Em julho foram três sessões ordinárias realizadas nos dias 6, 13 e 15 de julho. Nessas três sessões foram apresentados 5 Projetos, sendo 2 do Executivo e 3 do Legislativo, 48 Indicações, 14 Requerimentos e 2 Moções. Média de 16 indicações por sessão e 4,6 requerimentos por sessão. Foi um período marcado por temas de maior repercussão, como o Projeto de Lei Complementar 03/2026 sobre o enquadramento das educadoras de EMEI, emendas impositivas e questionamentos sobre diárias e taxas do novo Código Tributário.
No período que se enquadra depois da suspensão das transmissões, a partir de 3 de agosto, também foram realizadas três sessões, nos dias 3, 17 e 24 de agosto. O dia 3 de agosto ainda foi o último com transmissão. Naquela sessão foram 23 indicações e 5 requerimentos. Já nas duas sessões totalmente sem transmissão, o ritmo despencou. No dia 17 de agosto, ainda houve um pico de 30 indicações e 4 requerimentos, impulsionado pela discussão de dois projetos do Executivo em regime de urgência sobre crédito adicional e anistia de multas e por assuntos pendentes do mês anterior. No dia 24 de agosto, a última sessão do mês, os números despencaram para apenas 10 indicações, 3 requerimentos e 1 projeto de lei do Legislativo aprovado. Uma queda de 66% no número de indicações em apenas uma semana. No total de agosto, foram 63 indicações, mas 23 delas foram justamente na sessão do dia 3, antes do corte. Se considerados apenas os dois encontros sem qualquer visibilidade para a população, a média cai para 20 indicações por sessão, mas com tendência clara de queda.
O comparativo mostra que, sem o rádio e sem a internet para os vereadores se mostrarem ao cidadão, o volume de proposituras – principal termômetro da atividade parlamentar – perdeu fôlego. Indicações que cobram tapa-buracos, limpeza de bocas de lobo, iluminação pública e manutenção de praças, que antes eram anunciadas ao vivo para os bairros, passaram a tramitar sem a publicidade. O mesmo ocorreu com os Requerimentos, instrumento de fiscalização do Executivo, que caíram de 14 em julho para 12 em agosto, sendo apenas 7 nas duas sessões sem transmissão. A falta de transmissão tira do vereador a principal vitrine do mandato. Sem ela, o morador do Jardim Arapuã, do São Francisco ou do Parque Industrial não ouve mais se seu pedido foi lido em plenário. Sem visibilidade, o trabalho parlamentar, mesmo quando existe, deixa de chegar à população.
Sem palco no rádio e na internet, vereadores de Jales reduzem produção
Date:
