Combate à dengue: Jales registra índice controlado, mas alerta para os riscos do clima e do acúmulo de água

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A Secretaria de Saúde de Jales tem acompanhado de perto a situação epidemiológica da dengue no município, apresentando um panorama de controle na transmissão da doença ao longo do ano. O Setor de Combate a Endemias contabilizou 183 notificações até o momento, das quais 25 casos foram confirmados para dengue, 153 apresentaram resultado negativo e 5 seguem em investigação aguardando laudos laboratoriais.
Segundo a responsável pelo setor, Vanessa Luzia da Silva Tonholi, o cenário atual contrasta com as estimativas traçadas no final do ano passado em reuniões com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que previam um volume elevado de contágios em decorrência das alterações climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño. “Esse ano, a expectativa era de ter muitos casos. Foram feitas várias reuniões com a Secretaria de Estado no final do ano passado, que previa um número muito alto de dengue este ano. Porém, a gente teve números baixos, a gente até ficou surpreso por esses números estarem baixos”.
A oscilação do clima, caracterizada por dias de calor intenso, intercalados por chuvas rápidas ou períodos prolongados de seca, favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Nos dias quentes e com pancadas breves de chuva, a água se acumula com facilidade em pequenos objetos, criando o ambiente térmico e umidade propícios para o desenvolvimento das larvas. Já durante as fases de estiagem, o costume da população em armazenar água da chuva para uso doméstico, sem a devida vedação dos recipientes, torna-se outro fator de risco.
As avaliações de densidade larvária realizadas trimestralmente no município registraram índices de 1,8 em maio e 1,6 em julho. Embora o valor considerado ideal seja de até 1, os percentuais atuais permanecem distantes dos níveis observados em períodos epidêmicos, quando o índice ultrapassou a marca de 12. Uma nova medição de campo está agendada para ocorrer no mês de outubro, seguindo o calendário estipulado pelo Governo do Estado.
Ainda de acordo com Vanessa, as ações de fiscalização destacam que os criadouros do mosquito não se restringem a locais com grande acúmulo de sujeira, terrenos baldios ou depósitos de reciclagem e borracharias. A reprodução do inseto ocorre frequentemente dentro de residências que mantêm hábitos rotineiros de limpeza. Vasos de plantas preenchidos com terra podem reter água na superfície caso o solo esteja saturado pela chuva. Calhas que apresentam pequena deformação na estrutura acumulam pequenos volumes de água da chuva suficientes para a postura de ovos. Nos recipientes de água para animais de estimação, a troca diária do líquido deve ser acompanhada pela lavagem do recipiente com bucha e sabão, uma vez que os ovos do Aedes aegypti ficam aderidos às paredes internas do vasilhame e não flutuam na água. “A gente tem o hábito de ligar dengue com sujeira. É claro que se você tem uma casa de uma pessoa que é acumuladora, a quantidade de recipientes presente naquela casa vai ser maior. Mas isso não quer dizer que uma casa que é mantido todo padrão de limpeza e higiene não possa ter dengue. Então, é claro que a gente sempre tem uma visão, uma preocupação maior para aqueles locais com grande acúmulo de recipientes. Porém, os cuidados têm que ser tomados por todos. Aquele olhar atento de olhar um ralinho do quintal, se ele não tá parando água depois que você lava, é para todos. Porque o mosquito ele não escolhe: tendo água, ele vai estar ali. Então a gente tem que ter um olhar atento para qualquer imóvel, para qualquer recipiente que possa ter acúmulo de água”, disse.
Outro ponto que exige atenção contínua do setor de endemias é a expansão urbana em bairros novos e loteamentos em fase de construção. O descarte inadequado de entulhos de obras em terrenos vizinhos sem a utilização de caçambas apropriadas gera o acúmulo de recipientes capazes de reter água da chuva e atrativos para a presença de escorpiões e se tornar criadouros de mosquito.
A falta de manutenção e de roçagem periódica por parte dos proprietários dos lotes favorece ainda o acúmulo de lixo doméstico, atrativo para roedores e baratas. O trabalho de fiscalização nesses locais envolve a atuação da Secretaria de Meio Ambiente na notificação dos proprietários dos terrenos, além de orientações prestadas diretamente aos trabalhadores das construções civis e intervenções da Vigilância Sanitária.
A orientação do Setor de Combate às Endemias para a população que apresentar sintomas como febre, dores de cabeça ou dores no corpo é buscar atendimento imediato nas unidades de saúde do município, evitando a automedicação. O pilar fundamental do tratamento das infecções por dengue consiste na hidratação oral e contínua, medida indispensável para conter a evolução da doença e reduzir o risco de complicações clínicas.
Cidades do noroeste de SP têm maior incidência de casos de dengue
Dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES) de São Paulo apontam que três cidades da região noroeste do estado lideram a lista de maior incidência de dengue no acumulado de 2026. Até sexta-feira (5), foram confirmados 58.683 casos de dengue no estado em 2026. Há também 65.939 casos prováveis e 7.256 casos em investigação.
Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto concentram o maior coeficiente de casos confirmados de dengue por 100 mil habitantes. Em seguida, estão Taubaté, Barretos e Franca.
Na região de Araçatuba, os municípios com maior incidência são Birigui, Mirandópolis, Nova Independência e Buritama. Houve três óbitos na região. Já em Presidente Prudente, foram registrados cinco óbitos no total e, as cidades de São João do Pau d’Alho, Narandiba e Nova Guataporanga aparecem no topo do ranking considerando o número de casos por 100 mil habitantes.
Em relação ao total de casos confirmados, a Grande São Paulo está em primeiro lugar, com 12.919 casos. Contudo, o coeficiente por 100 mil habitantes é um dos menores do estado. Na lista com o maior acumulado aparecem Taubaté (9.666 casos), São José do Rio Preto (7.535 casos), Campinas (7.018 casos) e Araçatuba (5.628 casos).
ÓBITOS
Taubaté é a cidade com o maior registro de mortes por dengue: 18 ao todo.
A Secretaria de Saúde informou que mantém acompanhamento ininterrupto e atenção especial no intervalo de outubro a maio, quando há mais transmissões.
O órgão afirmou ainda que são constantemente checados os estoques de medicamentos e insumos, ao mesmo tempo em que os municípios são provocados a atualizar seus planos locais de contingência.
Está disponível de forma gratuita, nos postos de saúde, em todo o estado, a vacina Qdenga, que pode ser ministrada, em duas doses, em crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Para as faixas etárias de 4 a 59 anos, o imunizante pode ser encontrado na rede privada.

Redação A Tribuna
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