Ao longo desta legislatura, desde o início de 2025 até esta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a Câmara Municipal de Jales torrou exatos R$ 354.930,48 com viagens dos vereadores a destinos diversos e sem objetivo definido ou resultado comprovado. O valor é o equivalente a mais do que uma vez e meia o que foi gasto para comprar o carro mais novo do Poder Legislativo em janeiro de 2023. O Toyota Corolla sedan, ano 2023 modelo 2024, de 5 portas, flex e elétrico, preto metálico com bancos de couro, sete airbags e todo o conforto de um veículo moderno, custou para a Câmara Municipal R$ 199.500. Em 2025, incluindo os meses de recesso, os vereadores gastaram R$ 225.958,90 com viagens. Em quatro meses deste ano legislativo, a Câmara já torrou em viagens R$ 128.971,58, o equivalente a 57,09% de tudo o que gastou nos 12 meses de 2025. Ou seja, é pouco mais da metade e até o fim do ano o desperdício deve superar o do ano passado, uma vez que faltam apenas R$ 96.987,32 para chegar nos 100%.
Até o servidor comissionado, Renan de Mori Rodrigues, que é deficiente físico e nunca fez uma viagem oficial representando a Câmara para fora do município, recebeu no ano passado R$ 8.500,00 tendo devolvido R$ 4.778,98 e recebeu neste ano R$ 1.000,00, tendo devolvido R$ 556,35.
Coincidentemente, os vereadores que mais defendem o sistema de remuneração por diárias são os que mais faturaram com os pagamentos. E os que votaram a favor da manutenção dos pagamentos.
Como já é sabido, Bruno de Paula é o campeão absoluto e ganharia com facilidade a Copa do Mundo de maior faturamento com diárias. Em todo o ano passado, o presidente da Câmara engordou a sua conta bancária com nada menos que R$ 39.018,58 e nos quatro primeiros meses deste ano já levou pra casa R$ 19.200,00 totalizando neste mandato a incrível soma de R$ 58.218,58.
O comerciante Elder Mansueli aparece com a medalha de prata, superando até mesmo o faturamento da maioria das lojas de bugigangas como a dele. Em 2025, Elder embolsou R$ 23.900,68 e neste ano já levou pra casa R$ 19.840,00. Ao longo do seu segundo mandato, o vereador que se notabilizou por fazer doações para pessoas carentes e publicar nas suas redes sociais embolsou R$ 43.740,68.
Em terceiro lugar no pódio de maior faturamento com viagens aparece Franciele Villa Matos, a vereadora que responde a um processo na Justiça eleitoral por ter extrapolado o autofinanciamento da sua campanha eleitoral, Durante o seu primeiro mandato, Franciele embolsou um total de R$ 37.899,98, sendo R$ 28.939,98 em 2025 e R$ 8.960,00 nos primeiros quatro meses deste ano.
Câmara dispensa vereadores de prestarem contas dos gastos com viagens
Nesta segunda-feira, dia 8 de junho, a Câmara Municipal de Jales aprovou, por 5 votos a 3, o polêmico Projeto de Resolução nº 2/2026, que tratava da regulamentação da concessão de diárias aos vereadores. A propositura teve como autora a Mesa Diretora, composta pelos vereadores Andrea Cristina Moreto Gonçalves (Vice-Presidente – PODE), Bruno Henrique de Paula (Presidente – PL), Fábio Kazuto Matsumura (2º Secretário – PRD) e Rivelino Rodrigues (1º Secretário – PP), que posteriormente retirou sua assinatura do documento.
Votaram favoravelmente Vanderley Vieira dos Santos (REPUBLICAN), Elder Garcia Mansueli (PODE), Andréa Moreto, Eliane Miranda Matsukawa (REPUBLICAN) e Kazuto. Já os votos contrários foram de Riva Rodrigues, Leandro Antonio Bigotto (PL) e Luís Especiato (PT). A Vereadora Franciele Cristina Villa Matos (PL) se absteve da votação.
Na justificativa, a Mesa Diretora argumentu que a finalidade do projeto é promover o aperfeiçoamento da Resolução nº 1, de 3 de fevereiro de 2025, que estipulou o sistema de pagamento de diárias por valor fixo, calculado com base em uma equação que envolve o quilômetro rodado e o tempo de permanência fora do município.
Porém, o projeto aprovado nesta segunda-feira ignora a Recomendação do então 3º promotor de Justiça de Jales, Daniel Azadinho, que determinou ao presidente Bruno de Paula que incluísse no sistema uma previsão de devolução dos valores não gastos pelos vereadores durante as viagens e aumentasse a transparência dos gastos. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo tambem emitiu orientações sobre o assunto.
Dentre as alterações promovidas, destaca-se a obrigatoriedade de apresentação de relatório circunstanciado das viagens realizadas, contendo a finalidade específica do deslocamento, agenda cumprida, autoridades e órgãos visitados, atividades desenvolvidas e resultados institucionais obtidos, “permitindo maior controle da efetiva realização das atividades parlamentares”.
Mas a Mesa simplesmente omitiu a previsão de devolução, permitindo os vereadores continuarem embolsando as sobras dos valores. Prevendo a devolução integral ou proporcional de valores recebidos apenas em casos de não realização da viagem, retorno antecipado, redução do período de afastamento, desvio de finalidade, ausência de comprovação do interesse público ou recebimento indevido. Não menciona valores não gastos.
Na mesma Sessão Ordinária, antes da deliberação do Projeto de Resolução nº 2/2026, foi rejeitada a Emenda Aditiva nº 1 à propositura, de autoria de Luis Especiato, que obrigaria a apresentação de recibos dos gastos feitos durante as viagens, aumentado a transparência.
O QUE DIZ A RECOMENDAÇÃO
O 3º Promotor de Justiça de Jales, Daniel Azadinho Calderaro emitiu uma Recomendação para que o presidente da Câmara de Jales, Bruno de Paula, adotasse uma série de providências administrativas para regularizar o sistema de concessão de diárias para viagens dos vereadores e aumentar a transparência no uso do dinheiro público. Entre elas, devolver o dinheiro não usado. Além de revisar a Resolução Nº 01/2025, de Bruno de Paula, que instituiu o sistema de remuneração de viagens, também recomendou que fosse instituída a obrigatoriedade de apresentação de relatório circunstanciado de cada viagem realizada, contendo finalidade específica; agenda cumprida; autoridades contatadas; resultados obtidos; E apresentação de comprovação documental mínima, ainda que Parcialmente, com documentos comprobatórios das atividades, tais como previsão de devolução de valores e aprimorar a regulamentação para prever expressamente a devolução proporcional de valores não utilizados; restituição em caso de não cumprimento da finalidade.
“Embora não ilegal, [o sistema de concessão de diárias] apresenta fragilidades relevantes sob a ótica do controle do gasto público, em especial: insuficiência de mecanismos de prestação de contas; ausência de comprovação mínima estruturada das atividades; dificuldades de aferição de economicidade e razoabilidade. Apenas parte dos pedidos foi atendida.
Câmara de Jales já pagou R$ 354.930,48 para vereadores viajarem
Date:


