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Número de eleitores despenca em todas as cidades da região

Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira, 20 de julho, mostram a evolução do eleitorado brasileiro nos últimos 4 anos desde a última eleição geral, em 2022. No Estado de São Paulo, por exemplo, havia 34.667.793 eleitores naquele pleito. Agora em 2026, estão aptos a 34.104.226 eleitores, ou cerca de 500 mil eleitores a menos em quatro anos.
Mais especificamente sobre as nossas cidades, também houve queda, quase sempre significativa. Na última eleição em 2022, Jales tinha 38.572 eleitores aptos a votar, mas agora teremos 36.148 eleitores aptos a comparecer as urnas em outubro, uma queda de 2.424 eleitores, o equivalente a 6,29%.
Fernandópolis teve uma queda ainda mais acentuada de eleitores. Em 2022 tinha 54.395 eleitores e agora, quatro anos depois, tem 50.338 eleitores atos a votar, exatamente 4057 eleitores ou 7,46% a menos.
Santa Fé do Sul também teve uma queda significativa sendo que em 2022 havia 27.145 eleitores atos a votar e agora em 2026 São 25.900 queda de 1245 eleitores de um pleito para o outro, o equivalente à uma redução de 4,58% .
GRANDES CIDADES PERDERAM MENOS
Entre as grandes cidades da região, Votuporanga tinha 72.777 na eleição de 2022, mas agora esse número caiu para 69.072. Redução de 3.705 eleitores, ou 5,1% a menos em quatro anos.
Araçatuba tinha 153.442 eleitores em 2022 e agora o número caiu para 144.853. Redução de 8.589 eleitores ou 5,6% a menos.
São José do Rio Preto, a cidade mais populosa da região e, portanto, com o maior número de eleitores, também teve queda, mas muito menos significativa. Em 2022 Rio Preto tinha 344.514 eleitores aptos a votar e agora em 2026 são 343.635. Uma diferença de apenas 879 eleitores, quase insignificativa em proporção grande número de eleitores. Em termos percentuais, significa redução de 0,26%. Em termos comparativos, a abstenção costuma ser 100 vezes esse número.
Ainda segundo os dados divulgados nesta segunda-feira pelo TSE,em 2022 havia em todo o Brasil quase 156 milhões de eleitores aptos a votar. E agora, estão aptos a votar em outubro 158 milhões e 745 mil eleitores, portanto, em movimento inverso, um crescimento de quase 3 milhões.
São Paulo não foi o único que perdeu eleitores
O estado de São Paulo tem 34.104.226 de eleitoras e eleitores aptos a votar nas Eleições 2026. O número é o menor das últimas três eleições. Em 2022, o estado tinha 34.667.793, número que caiu para 34.403.609 em 2022 e agora caiu para pouco mais de 34,1 milhões.
Mas não foi só o estado dos bandeirantes que perdeu eleitores. O vizinho estado das Minas Gerais, o segundo em número de eleitores, passou por aumento de 2022 (16.290.870) para 2024 (16.469.155) e depois sofreu redução para 16.377.659, em 2026.
O Rio de Janeiro, terceiro com mais eleitores, também perdeu contingente no último pleito, embora tenha chegado a registrar aumento em 2024. Atualmente, o Rio de Janeiro tem 12.857.000 de eleitores, mas em 2024 alcançou 13.033.929, bem mais que os 12.827.296 registrado em 2022.
A queda no número de eleitores nos três maiores estados da região Sudeste do país – que também são os maiores do país – refletiu na evolução por região.
A região Sudeste é a que concentra o maior eleitorado do país: 66,3 milhões (41,78% do eleitorado nacional). Em seguida, vem a região Nordeste, com 43,5 milhões (27,42%); a Sul, com 22,8 milhões (14,40%); e a Norte (8,26%), com 13,1 milhões. A última colocação é ocupada pelo Centro-Oeste, com 11,9 milhões.
Segundo os números divulgados pelo TSE nesta segunda-feira, 20, a região Sudeste tinha 66.707.465 de eleitores aptos a votar em 2022 e esse número caiu para 66.329.375 em 2026.
Já a região Nordeste, segunda maior em número de eleitores, apresenta uma evolução positiva a constante. Em 2022, aquela região tinha 42.390.976 eleitores; em 2024 já eram 43.302.692 e em 2026 o número chegou a 43.529.845.
Em ordem de número de eleitores, a região Sul teve oscilação, mas também ganhou eleitores de 2022, quando tinha 22.558.759 para 2026, quando alcançou 22.861.012. Se o comparativo for feito com 2024, quando o conjunto dos três estados teve um aumento para 22.969.108, verifica-se uma ligeira perda, talvez por conta dos temporais que assolaram o Rio Grande do Sul em abril de 2024 e obrigaram muita gente a deixar as suas residências. Alguns perderam todos os documentos e não puderam votar naquele pleito.
Outra que apresenta uma evolução paulatina, ao contrário da região Sudeste, é a região Norte. Em 2022 havia 12.560.410 eleitores aptos a votar naquela região, Em 2024 o número subiu para 12.987.166 e agora em 2026 já são 13.109.354.
A região Centro-Oeste teve uma queda significativa em 2024 (9.747.379) em relação a 2022 (11.539.323), mas aumentou para 11.997.001 em 2026, o maior contingente eleitoral em dez anos.
EXTERIOR
O que também nunca foi tão alto é o número de eleitores aptos a votar no exterior. Em 2026, estarão prontos para manifestar o voto nada menos que 918.876 eleitores. São 221.798 (24,1%) que os 697.078 de 2022 e 418.149 (mais que o dobro) que os 500.727 de 2018.
A maioria está espalhada pelos Estados Unidos e o menor grupo, apenas 3, está no município de Caiena e vota em Guadalupe, Mexico.
UM QUINTO Do ELEITORADO BRASILEIRO
O total de votantes no maior colégio eleitoral do Brasil corresponde a 21,48% do eleitorado total do país (158.745.463 eleitores). A maioria do eleitorado do estado é feminina, tem entre 40 e 44 anos e ensino médio completo.
Entre os paulistas, há 18,1 milhões de eleitoras (53% do total). Já os os homens são 15,9 milhões, o correspondente a 47% do eleitorado. A maior parte dos votantes tem de 40 a 44 anos (3,48 milhões). Em seguida, aparece a faixa etária entre 45 e 49 anos (3,38 milhões) e, em terceiro lugar, estão os que possuem de 35 a 39 anos (3,23 milhões).
POR IDADE
No estado, há outros 8,5 milhões de eleitores que estão acima dos 60 anos, sendo que, desses, 45,72% têm 70 anos ou mais. Os eleitores jovens menores de 18 anos somam 180.229 pessoas. De acordo com a Resolução nº 23.759/2026, apenas eleitoras e eleitores que completem 16 anos antes da data do primeiro turno (4 de outubro) poderão votar nas Eleições 2026.
O total de eleitores de São Paulo corresponde a 76,79% do número de habitantes do estado, estimado em 44,41 milhões, conforme o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com eleição em 645 municípios, o estado tem 11.020 locais de votação e 103.841seções eleitorais, sendo 36.689 adaptadas às regras de acessibilidade. Somente a capital concentra 9.135.407 pessoas aptas a votar (26,7% do eleitorado estadual), 2.048 locais de votação e 26.686 seções eleitorais (6.015 acessíveis).
10 cidades de SP concentram mais eleitores que todo o Norte ou o Centro-Oeste
Dez dos 645 municípios de São Paulo concentram 42,8% do eleitorado do estado, que tem mais de 34,1 milhões de pessoas aptas a votar nas Eleições 2026. A capital e as cidades de Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco, Santo André, São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto e Santos reúnem mais de 14.626.272 de eleitoras e eleitores.
O montante de eleitores nesses dez municípios do estado supera o total contabilizado nas regiões Norte ou Centro-Oeste do país, que acumulam 13.109.354 e 11.997.001 eleitores, respectivamente. Os números do eleitorado por município foram divulgados nesta segunda (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Somente a capital possui 9.135.407 votantes, 26,7% do eleitorado estadual. Guarulhos, na Região Metropolitana, é a 2ª cidade de São Paulo com maior número de aptos a votar: 948.410 pessoas. Já Campinas, no interior, está em 3º lugar, com 870.672 eleitores. No mapa do eleitorado, é possível consultar os 30 maiores registros do eleitorado do estado.
A capital ainda tem o quinto maior eleitorado do país. Fica atrás apenas do próprio estado de São Paulo, com 34.104.226 eleitores e eleitoras, o que corresponde a 21,48% do total do Brasil (158.745.463 votantes); Minas Gerais, com 16.377.659 pessoas aptas a votar (10,32%); Rio de Janeiro, com 12.857.000 (8,10%); e Bahia, com 11.321.005 (7,13%).
ANÁLISE
A reportagem consultou o advogado eleitoral e cientista político, João Eduardo Lima Carvalho que alertou que a queda no número de eleitores registrados em determinada localidade pode acarretar perda de representatividade perante os parlamentos e o Poder Executivo estadual ou federal.
O fenômeno, segundo ele, merece uma análise cuidadosa e atenta porque não se trata de apenas uma alteração estatística.
Confira:
Do ponto de vista jurídico, o eleitorado corresponde ao conjunto de cidadãos que estão regularmente aptos a exercer o direito de voto. E o voto, conforme estabelece a Constituição Federal, é um dos principais instrumentos de exercício da soberania popular.
Por isso, quando uma cidade registra uma queda relevante no número de eleitores, é preciso compreender o que está por trás desse movimento.
Essa redução pode ocorrer por diversas razões. Entre elas estão a transferência do domicílio eleitoral para outros municípios, o falecimento de eleitores, a eliminação de duplicidades no cadastro e o cancelamento de títulos de quem deixou de votar, não justificou a ausência e não regularizou sua situação perante a Justiça Eleitoral.
Mas os números também podem revelar questões mais profundas. Em muitas cidades do interior, os jovens deixam o município em busca de emprego, estudo e melhores oportunidades. Ao mesmo tempo, ocorre um envelhecimento da população e uma dificuldade de atrair novos moradores.
Outro fator que não pode ser ignorado é o afastamento de parte da população em relação à política. Quando o eleitor deixa de votar repetidamente e sequer procura regularizar o título, isso pode indicar não apenas desorganização, mas também desinteresse, descrença ou falta de identificação com o processo político.
E qual é o impacto dessa redução nas eleições?
Em primeiro lugar, uma cidade com menos eleitores possui um potencial menor de votos. Isso não significa uma perda automática de cadeiras ou de representação, porque o sistema eleitoral não funciona de forma tão simples. Mas, na prática, a quantidade de votos de uma região influencia a atenção que ela recebe de candidatos, partidos e lideranças políticas.
Esse efeito é especialmente importante nas eleições para deputados estaduais e federais. Um candidato que depende de uma votação expressiva em determinada região precisará buscar apoio em um número maior de cidades ou ampliar sua votação em outros locais.
Existe, portanto, um risco de enfraquecimento político regional.
Quanto menor o eleitorado, menor tende a ser a capacidade da cidade de influenciar o resultado e de demonstrar força política perante os candidatos eleitos.
Outro ponto preocupante é o aumento do peso proporcional dos grupos mais organizados. Quando menos pessoas participam, estruturas políticas, econômicas, partidárias ou corporativas com maior capacidade de mobilização podem exercer uma influência ainda maior sobre o resultado.
É importante destacar que a redução do eleitorado, por si só, não compromete a validade jurídica da eleição. O pleito continua sendo válido desde que sejam respeitadas as regras eleitorais.
Mas uma eleição juridicamente válida não elimina a preocupação com a qualidade da representação democrática.
A situação se torna ainda mais grave quando a redução do número de eleitores vem acompanhada de uma alta abstenção. Nesse caso, uma parcela cada vez menor da população passa a decidir quem ocupará os cargos públicos.
Por isso, esses dados não devem ser vistos apenas como números. Eles podem indicar perda populacional, saída dos jovens, envelhecimento das cidades, desinteresse político e redução da capacidade de influência da nossa região.
Uma cidade que perde eleitores não perde apenas registros no cadastro eleitoral. Pode perder também voz, força política e espaço nas decisões que definirão o seu futuro.

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