O Sindicato dos Motoristas de Jales e Região chamou a atenção para a crescente falta de motoristas profissionais no mercado e para a necessidade de melhorias nas condições de trabalho da categoria. Apesar disso, os motoristas têm muito o que comemorar neste dia 25 de julho, Dia do Motorista e Dia de São Cristóvão. O tema foi abordado durante entrevista concedida por José Roberto da Silveira, presidente do Sindicato dos Motoristas de Jales e Região.
Segundo José Roberto, a profissão de motorista passou por um processo de grande profissionalização nos últimos anos e a antiga imagem romantizada do caminhoneiro está sendo substituída por uma realidade mais exigente, que demanda qualificação, cumprimento de legislação específica e melhores condições de trabalho.
“Hoje estamos vivendo um momento de transição. Os motoristas precisam de mais profissionalização, melhores condições de trabalho, remuneração adequada e infraestrutura de qualidade. Caso contrário, a escassez de profissionais tende a aumentar ainda mais”, afirmou.
Diferenças entre CLT e autônomos
O presidente do Sindicato explicou que há diferenças significativas entre os motoristas contratados pelo regime CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), ou seja, empregados, e os motoristas autônomos. Enquanto o autônomo administra seu próprio negócio e enfrenta diretamente questões como valor do frete, do diesel e pedágios, o motorista empregado conta com benefícios previstos em convenções e acordos coletivos.
Entre esses benefícios estão salário fixo, diárias, plano de saúde, cesta básica, 13º salário e férias. Apesar das diferenças, José Roberto ressaltou que ambos os grupos enfrentam as mesmas dificuldades nas estradas.
SEGURANÇA
A segurança foi apontada como um dos principais problemas enfrentados pelos motoristas na atualidade. O sindicalista citou uma pesquisa nacional realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres, que revelou condições precárias em muitos trechos rodoviários do país.
De acordo com ele, os profissionais convivem diariamente com riscos de acidentes, assaltos e a falta de locais adequados para descanso. Além disso, há relatos de assédio por parte de criminosos que oferecem substâncias ilícitas para manter os motoristas dirigindo por longos períodos.
“O motorista que vive na estrada enfrenta um ambiente muito difícil. Ele passa finais de semana, feriados e domingos longe da família, muitas vezes sem convívio social adequado, não sabe nem o nome da professora dos filhos”, destacou.
PONTOS DE PARADA
Outro tema abordado foi a insuficiência de pontos de parada para caminhoneiros, previstos na Lei do Motorista desde 2015. Segundo ele, a legislação determinou que o governo federal implantasse locais adequados para descanso, mas a medida ainda não foi plenamente executada.
“Atualmente, o estado de São Paulo possui apenas dois pontos de parada federais. A maior parte da estrutura disponível é privada, como postos de combustíveis e áreas particulares”, explicou.
Há projetos em andamento para a criação de mais 12 pontos de parada no estado de São Paulo e cerca de 50 em todo o país, mas não há prazo para que isso aconteça.
Ao final da entrevista, Roberto deixou uma mensagem aos motoristas que celebram o Dia de São Cristóvão, padroeiro da categoria. Ele reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos profissionais, mas destacou a importância e a dedicação dos motoristas para a economia nacional.
“Os motoristas transportam a riqueza e movimentam todo o país. Desejo muita saúde, sorte e reconhecimento a todos, porque é uma categoria que enfrenta muitas dificuldades e ainda recebe pouco reconhecimento”, concluiu.



