Câmara questiona doação de terreno a empresa de médico preso

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Os vereadores da Câmara Municipal de Jales aprovaram nove requerimentos com pedidos de informações ao prefeito Pedro Callado, durante a sessão ordinária realizada na segunda-feira, 22. Assuntos como os gastos com o contrato de publicidade assinado com a empresa Prewiew Ltda, a merenda escolar distribuída aos alunos do município, a academia ao ar livre para portadores de necessidades especiais e a demissão das gerentes das unidades do programa Estratégia de Saúde da Família, foram debatidos pelos vereadores durante mais de uma hora.

Mas o que chamou mais atenção foi um requerimento assinado pelos vereadores Gilbertão (DEM), Rosalino (PT), Rivail Júnior (PSB), Jesus (DEM) e Pérola (PT), onde eles estão questionando a doação de um terreno à empresa Toledo & Oliveira Transportadora Ltda, pertencente ao médico Emerson Algério Toledo, que foi preso pela Polícia Federal em janeiro deste ano. O terreno, localizado no Distrito Industrial I, havia sido doado, há alguns anos, a uma empresa de materiais de construção, mas foi retomado pela Prefeitura durante o governo do ex-prefeito Humberto Parini, através de ação na Justiça.

De acordo com os vereadores, a empresa de materiais de construção chegou a ajuizar uma ação para cobrar uma indenização da Prefeitura pelas benfeitorias realizadas no terreno, mas acabou desistindo da cobrança judicial. Os motivos pelos quais a empresa teria desistido da ação é um dos questionamentos dos vereadores. Eles querem saber, também, quais os critérios utilizados pela Secretaria de Planejamento para fazer a doação do terreno à Toledo & Oliveira Transportadora Ltda, quem são os donos da mesma, quais os investimentos que a empresa pretende fazer na área e quantos empregos serão gerados.

A doação do terreno à empresa do médico foi feita no governo da prefeita cassada Nice Mistilides, quando a Secretaria de Planejamento era comandada pelo ex-secretário Aldo Nunes de Sá. O assunto veio à tona em virtude das conversas entre o vereador André Ricardo Viotto, o Macetão, e o ex-secretário Aldo Nunes, gravadas por este último, quando o nome do médico foi citado várias vezes. Segundo conclusões do Ministério Público, Macetão queria obter um documento assinado pela prefeita, o qual facilitaria o recebimento da indenização pretendida pela ex-proprietária do terreno. Os vereadores querem descobrir se Macetão pretendia negociar a indenização com o médico.

Médico foi ouvido na Justiça Estadual de Jales

O médico Emerson Algério de Toledo, que foi preso pela Polícia Federal em janeiro deste ano, sob a acusação de estar atendendo pacientes do SUS, apesar de proibido pela justiça, foi ouvido na terça-feira, 23, no Fórum de Jales, pela juíza da 4ª Vara Judicial, Maria Paula Branquinho Pini. Trata-se da primeira audiência do processo movido contra o médico, que está sendo acusado pelos crimes de aborto, estelionato, falsidade ideológica e de concussão, por, supostamente, cobrar por partos realizados através do Sistema Único de Saúde.

Apesar de estar sendo acusado de vários crimes, ele foi ouvido pela juíza apenas sobre o crime de concussão, que está tramitando na Justiça Estadual. Todos os demais crimes serão julgados pela Justiça Federal. No início de março, a analisar pedido de relaxamento ou revogação da prisão preventiva, a juíza arbitrou em R$ 100 mil a fiança a ser paga pelo médico, além de estipular outras condicionantes para sua liberdade. Mesmo que tivesse pago a fiança de R$ 100 mil, o médico continuaria preso, em virtude dos outros processos que correm na Justiça Federal. 

Da Redação
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