O Bispo Diocesano de Jales, Dom Reginaldo Andrietta, foi um dos convidados do programa “Em Comunhão Especial: Por um Brasil de ética, justiça e paz”, da TV Aparecida, exibido nesta quarta-feira, 23 de setembro. Durante sua participação, o bispo refletiu sobre o modelo político atual e sobre os caminhos para superar a desigualdade no país. Ao comentar o sistema político-partidário, Dom Reginaldo afirmou que o modelo herdado desde a Revolução Francesa, embora tenha criado a participação por meio de partidos, se tornou, em suas palavras, “uma camisa de força”.
Para ele, é preciso avançar para uma representatividade mais equilibrada e simétrica.“Os distintos segmentos da sociedade teriam que encontrar meios de, paritariamente e de modo simétrico, construírem uma representatividade para que a gestão pública fosse bem representativa e satisfazendo todas as demandas”.
O bispo criticou a lógica de concorrência acirrada entre grupos políticos, comparando-a à rivalidade de torcidas de futebol, onde se defende o “time” sem analisar propostas.“Temos que superar esse sistema concorrencial, competitivo, simplificado, onde vestem a camisa como se fosse a camisa de um time, não analisam as propostas e ficam defendendo o seu time, quando o outro também pode estar jogando bem”, disse.
Ele defendeu a “cultura do encontro” e do entendimento, citada pelo Papa Francisco, e a busca pelo consenso, inspirada em culturas ancestrais.
DESIGUALDADE
Na sua segunda intervenção, Dom Reginaldo abordou a desigualdade de renda no Brasil, que classificou como uma das maiores do mundo e um tema central para as campanhas eleitorais.
Segundo ele, é preciso discernir entre projetos que favorecem quem já tem recursos e projetos voltados à partilha. Para o bispo, a desigualdade é histórica e foi marcada pela concentração de poder econômico em uma elite, além da interferência do capital internacional que absorve recursos nacionais.
“Não basta somente gerar condições de igualdade somente na personalidade, entre pessoas e grupos, se não na estrutura mesmo econômica e, portanto, política do país”, pontuou.
Como caminho, Dom Reginaldo defendeu o fortalecimento do papel do Estado para equilibrar a desproporção entre a acumulação de capital e aqueles excluídos até mesmo do trabalho digno.
Citando a Doutrina Social da Igreja e o saudoso Papa Francisco, ele destacou a necessidade de olhar para as “periferias existenciais”. A proposta, segundo ele, passa pela organização popular, pelo fortalecimento de trabalhadores informais, por aplicativo, sem representatividade associativa, e pela retomada da organização sindical.“Não se trata de fazer mais somente assistencialismo, de ajuda mútua, senão de organização desses setores mais empobrecidos e excluídos, entendendo finalmente que os mais pobres não são objetos de caridade, senão sujeitos de direitos e de responsabilidade na participação social organizada”, concluiu.
Bispo de Jales defende superação da polarização e fortalecimento de excluídos em programa da TV Aparecida
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