Motivados pela Romaria Diocesana muitos diocesanos, ao longo dos anos, têm feito peregrinações inspirados e motivados pela fé em Jesus e especial intercessão de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Diocese de Jales.
Até hoje, sabemos que existem grupos de peregrinos que saem de diversos municípios da Diocese rumo a Jales: Vitória Brasil, Aparecida d’Oeste – Palmeira d’Oeste e São Francisco, Urânia, Fernandópolis, Major Prado – Auriflama e Dirce Reis, Santa Clara – Santa Rita – Santa Albertina e Paranapuã, Rubinéia – Santa Fé do Sul, Três Fronteiras – Santa Salete – Santana da Ponte Pensa- Urânia e Jales.
Um dos grupos de “Peregrinos na Fé” que nos últimos anos tem aumentado é o da “Caminhada da Fé”, hoje com 285 peregrinos.
Esta peregrinação iniciou-se com 4 peregrinos no ano de 2016, saindo de Santa Fé do Sul, por inspiração da Leila, uma peregrina de Jales que pediu permissão à Diocese para caminhar. O Padre Mário Roberto Rodrigues apoiou esse grupo e continua acompanhando-o como diretor espiritual.
No ano seguinte, já haviam 12 fieis na caminhada e desde então o grupo de peregrinos vem crescendo e fortalecendo a organização dessa caminhada cheia de fé em Deus e amor a Maria. O percurso mudou quando outros integrantes de Rubinéia começaram a participar; em 2018 saíram do Bairro do Clone, Capela Nossa Senhora da Assunção de Rubinéia, próximo ao Rio Paraná. Em outro ano, saiu da beira do Rio Grande, em Santa Clara d’Oeste.
QUEM SÃO
Os peregrinos são pessoas de diversas comunidades, pastorais e movimentos da Igreja. Alguns até iniciantes vem, às vezes por curiosidade e esporte, porém a espiritualidade do caminho e a fé transformam vidas, trazem alento, constroem amizade e se tornam festa e alegria imensa na Eucaristia da festa de Nossa Senhora da Assunção.
Ultimamente, o trajeto tem sido de Rubinéia a Jales, passando por estradas rurais de Santa Fé do Sul, Três Fronteiras, Santana da Ponte Pensa, Urânia e Jales. A peregrinação vem integrando novos fiéis a cada ano.
A devoção a Nossa Senhora da Assunção deixa os corações dos peregrinos e peregrinas cheios de esperança, pois a espiritualidade do caminho é inovadora e transformadora.
Nos últimos anos a caminhada da fé também cresceu com a participação de outros setores que se organizam para fazer a sua caminhada. Há dois anos que o setor de Fernandópolis tem se organizado e a cada ano há um crescimento no número de peregrinos que saem do município de Fernandópolis em direção ao município de Jales.
No ano de 2025, o setor Auriflama Salgado também iniciou a peregrinação com um número expressivo de peregrinos. Essa caminhada tem seu início no município de Auriflama, passando por Dirce Reis, participando da missa e pernoitando nas famílias seguindo a caminhada no dia seguinte em direção ao município de Jales.
A Tribuna: Padre Mário, o grupo de peregrinos que vem a Jales inclusive participar da romaria tem crescido cada vez mais, né? Começou muito tempo atrás, pequenininho e vem crescendo, evoluindo cada vez mais, né?
Padre Mário: Bom dia aos eleitores do jornal. Então, nós queremos saudar a todos e a todas que estão acompanhando e de diversas cidades onde partem os peregrinos também para a Diocese de Jales. De fato, nós tivemos um momento muito especial, e eu recebi o convite do Padre Sardinha, na época, Dom Reginaldo, para acompanhar uma pessoa. E depois chegamos em oito aqui. Isso há 9 anos atrás, né? Então, depois o grupo foi se estabelecendo. Primeiro nasceu o grupo chamado Caminhada da Fé, de Rubinéia, Santa Clara, e aí passando por Santa Fé do Sul e em vinda em direção a Jales também. Mas depois foram surgindo outros grupos, e o outro grupo que surgiu logo em seguida foi o pessoal que veio de Fernandópolis. Já faz o terceiro ano que eles fazem a caminhada, e esse ano ultrapassa 200 pessoas. Esse ano, o Padre William confirmou esses dias, ultrapassa 200 pessoas. Depois também bem perto de nós, um outro grupo – queria salientar que não é tanto ainda falado porque não é nosso ramal – é o pessoal de Vitória Brasil. Já é também o quarto ano, e esse ano se associou na caminhada com o pessoal de Dolcinópolis e de Paranapuã. Portanto, chegarão aqui a mais de 100, não é? E depois também o Padre Miguel, já é o seu segundo ano que faz, e tá mais de 60 pessoas. E também tem o pessoal que vem de Palmeira, que tá em 65, e o pessoal de São Francisco, que tem essa média, 65 até a 70 pessoas.
Então, a partir de 8 anos para cá, foram surgindo. Também com o apoio dos padres, no sentido de motivar ou criar também a possibilidade de dar estrutura, do envio, e aqui de Jales a surpresa para nós aqui da cidade de Jales. A Zélia da Paróquia Santo Antônio, Nossa Senhora de Fátima, a comunidade, e ela foi organizando, organizando, e hoje já ultrapassamos 38 pessoas. A gente vai chegar a 40, se Deus quiser.
A Tribuna: Bom, e o senhor deve ter um trabalho enorme para organizar, para coordenar tudo isso aí, né?
Padre Mário: Eles têm… cada grupo tem o seu coordenador. E nós temos um grupão dos coordenadores de todos os municípios. E aí o Padre Zé Antônio também tem dado a sua palavra. O Geovani, secretário da Cúria, tem dado também a sua palavra, inclusive nós fazemos no trajeto uma passagem sobre a pista acompanhada pela Polícia Rodoviária, né? E eles que oficiaram os nomes de todo mundo que vai passar na sexta-feira sobre a pista, mais por questão de segurança. E também essa formalidade da documentação. Tá tudo já encaminhado no sentido de recebermos pela Cúria. Então, o Geovani tá coordenando isso em nome do Padre Júnior, meu nome, e também aí da supervisão do Dom Reginaldo essa questão também de trafegar pela passagem, apenas. E depois retomamos o caminho de terra novamente.
A Tribuna: Imagino que deve ter também uma logística, material que as pessoas trazem, como água, né?
Padre Mário: Cada município vai definindo a quantidade de coisas que trazem: frutas, água e banheiro. Conversamos muito sobre essa questão desse apoio. Agora tem outra necessidade que é a comida. Quem vem um dia só, ainda suporta uma comida mais leve, um pão com carne ou um almoço, uma marmita, mas o grupo mais antigo, que vem de Rubinéia, eles almoçam na sexta, almoçam no sábado e almoçam no domingo, porque, como diz o Padre Rodolfo, é um trajeto longo, necessita de ser também aí nutridos. E ontem tive um momento à tardinha aqui em Urânia, com o Seu Zequinha Mello, que é o último ponto que a gente passa no sábado e a comunidade se envolveu. A comunidade vai ajudando, então ao longo do caminho, proprietários nos oferecem água, carros passam e oferecem, além do que cada equipe traz a sua fruta, a sua água e a gente vai fazendo disso um processo de engajamento. Há uma equipe que tá se fortalecendo, que é a equipe de espiritualidade, que é formada por quatro pessoas: a Marilene, de Santa Fé do Sul, também a Fátima, de Rubinéia, o Zé Nicoleti e a Silvana, de Três Fronteiras. Então, estamos criando,porque não vem só conversando, não vem só rezando. Vem meditando, vem refletindo, vem música no carro de som. E esse ano ainda uma coisa bonita: o Padre Rodolfo adquiriu o carro da Catedral com o som e emprestou para a caminhada, então tem os motoristas responsáveis e a gente vai conduzindo e com 200 pessoas é preciso um som. Quando é 30, 20, aí você faz uma fila indiana e um responde e vamos. Agora, 200 pessoas requer um som sobre o carro. Essa é uma preocupação, que todo mundo ouve, reza, reflete, partilha.
O chamamento é feito pelo carro de som, isso educa também o peregrino a não ficar conversando fiado pelo caminho, mas entra no prumo assim, vamos juntos fazendo acontecer a caminhada, a peregrinação, mas coordenada. Então, peço aos peregrinos que respeitem as propostas dos coordenadores também na oração, não só na vinda. Então, essa logística que você falou é água, espiritualidade, a comida…
A Tribuna: O senhor falou que às vezes as pessoas das propriedades rurais em volta param, vão lá, vão levar água…
Padre Mário:Tem uma família que leva até suco.
A Tribuna: E eles rezam também? Eles param lá e rezam com os peregrinos?
Padre Mário: A gente tem o momento de fazer o agradecimento, a gente chama de louvor, né? O agradecimento a cada família. Então, são gestos muito bonitos. Domingo eu convoquei a paróquia nas duas missas de manhã, olha o pessoal quando encontrar o peregrino… Eu sou peregrino no Caminho da Fé e eu sinto quando você é encontrado pelas pessoas, quando você é visto, quando você é percebido e você passa… então peço que diga uma palavra, “bom caminho”, diga uma palavra “boa romaria”, encontrou um peregrino no caminho, dê uma palavra de exortação, de gratidão, não é? Dê uma palavra de carinho, porque essa Romaria Diocesana tomou corpo nacional já. É… eu tô andando por aí e eu vejo que Dom Demétrio é muito lembrado. “Ah, é o bispo da romaria!” E nada diferente com Dom Reginaldo, que tem incentivado inclusive além da romaria, e dentro dela, mais peregrinos. Porque aí o contexto casa com a história do povo de Deus que também peregrina.É bonito ver quando você adentra com um grupo de 100 pessoas, 200, na cidade. Fica uma coisa assim, algo muito… muito… pessoas idosas que viveram outras romarias, pessoas que conhecem, que tiveram seus pais, avós caminhando. A gente é muito bem recebido. E eu gostaria que esse ano todos os peregrinos fossem muito mais acolhidos, muito mais amados e ao mesmo tempo correspondessem a esse amor. Cumprimenta a pessoa, dê um aceno de mão, dê a aquela pessoa idosa que tá na cadeira, na porta da casa, vá até ela ali na calçada e saúda e caminhe. O processo é caminhar. Agora a gente pode caminhar com os olhos abertos, com o coração atento, com os pés firmes ao encontro de Nossa Senhora da Assunção.
A Tribuna: Uma demonstração de fé também, né, padre? Fisicamente, quero dizer.
Padre Mário: Isso. E aí a fé, ela tem um aspecto importante que é expressa na espiritualidade. O seu olhar pode ser um olhar espiritual de acolhimento, o seu olhar pode ser um olhar orante…o seu olhar pode ser um olhar de um copo d’água que você dá, um copo d’água que você recebe, uma fruta que você recebe tá ali permeada de aquilo que Maria, José, que Jesus tanto fez e que estamos vendo agora nas palavras, nas parábolas que tivemos esses dias, que até vi você comentando numa delas, a da boa semente.
