Condenado a 16,4 anos de prisão, médico continua solto

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O médico fernandopolense Luiz Henrique Semeghini foi condenado a 16 anos de quatro meses de prisão por homicídio culposo duplamente qualificado. No dia 14 de outubro de 2000, ele matou com sete tiros Simone Maldonado, com quem era casado. A sentença foi proferida pelo juiz Vinícius Castrequini Bufolin no começo da madrugada de sexta-feira, 9 de outubro, quase 15 anos depois do crime. Mesmo condenado pela segunda vez, Semeghini aguardará solto a transito em julgado, ou seja, permanecerá em liberdade até que todos os recursos sejam julgados pelos tribunais superiores. Não há prazo para que isso ocorra e ele poderá levar a vida normalmente, inclusive atendendo pacientes em seu consultório.  

A demora da ação, que teve diversas reviravoltas, recursos e já havia sido julgada, transformou o caso em um dos símbolos da morosidade da justiça brasileira. 

O julgamento durou 15 horas e 45 minutos. Começou às 9h de quinta-feira e somente à meia-noite e meia de sexta, o juiz proferiu a sentença.  “Os jurados consideraram o crime como homicídio qualificado, de acordo com a tese da acusação, pelo réu ter dificultado a defesa da vítima. Não foi aceita a atenuante pelos serviços prestados gratuitamente na clínica do réu. Desta forma, determino a pena de 16 anos e 4 meses, em regime fechado, após o trânsito em julgado”, declarou. 

O advogado do médico confirmou que pretende apelar ao Tribunal de Justiça para tentar reduzir a pena. “Acho que irá diminuir”, disse Alberto Zacharias Toron.

O julgamento foi acompanhado por dezenas de estudantes de direito. Alguns chegaram a dormir na porta do fórum para conseguir uma vaga na sala do Tribunal do Júri. 

A família de Simone contou que ela queria se separar do médico, que se recusava. O irmão dela, Ralph Maldonado, relatou que o médico teria reagido mal ao pedido, alegando que “ficaria mal socialmente”. 

As testemunhas de defesa disseram que Simone era infiel e citaram o nome de um dos seus supostos amantes. A tese não vingou e o juiz chegou a classificá-la de “boato, fantasia”.  

Redação A Tribuna
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