Sábado, Março 7, 2026

Justiça diz que Parini não cometeu crime no “Caso das Praças”

Date:

 

 

O juiz da 3ª Vara Judicial de Jales, José Pedro Geraldo Curitiba, absolveu o ex-prefeito Humberto Parini da acusação de ter cometido crime previsto na Lei das Licitações, em sentença proferida em maio deste ano. De acordo com o magistrado, a ação penal que pedia a condenação de Parini como incurso no artigo 89 da Lei 8.666/93, “é improcedente em razão da insuficiência de provas quanto ao dolo na conduta do acusado”. Para o juiz, não ficou configurada a intenção de Parini em obter alguma vantagem com a conduta supostamente criminosa. Se condenado, a pena poderia alcançar de três a cinco anos de reclusão, além de obrigar o ex-prefeito ao pagamento de multa.

A ação penal movida contra Parini é consequência da falta de licitação na reforma de algumas praças da cidade, nas quais a Prefeitura gastou o total de R$ 31,3 mil. O caso foi denunciado pela Câmara Municipal, que instalou a chamada “CEI da Reforma das Praças”, para investigar denúncias de que os gastos teriam sido, na verdade, de R$ 60 mil e que o serviço não teria sido realizado. A CEI apurou que os gastos tinham sido de R$ 31 mil, o que já tinha sido admitido pelo próprio prefeito e, de outro lado, um laudo pericial da Polícia Técnica comprovou a realização das reformas. Apesar da comprovação de que não houve desvios na realização das reformas, a falta de licitação acabou gerando uma Ação Civil Pública contra Parini e outras três pessoas, além da Ação Penal da qual apenas o ex-prefeito era réu.

Na Ação Civil Pública, Parini e outros dois acusados foram condenados ao pagamento de multa, em função da desobediência à Lei das Licitações, mas a Justiça reconheceu que eles não obtiveram nenhuma vantagem e nem causaram dano ao erário. Esse foi um dos motivos alegados pelo juiz Curitiba para inocentar Parini na Ação Penal.  “Confira-se que nos autos da ação civil pública foi reconhecido que não houve enriquecimento ilícito do réu, nem tampouco prejuízo ao erário público, o que, quando menos, lança maior dúvida quanto a ter o acusado agido dolosamente”, escreveu o magistrado jalesense. Ele deixou claro que, para a condenação do acusado, seria necessária a comprovação do dolo, ou seja, da intenção de cometer o crime para auferir alguma vantagem, o que não ficou provado. “A ausência de demonstração de prejuízo ao erário público afasta o delito”, sentenciou Curitiba.

O juiz ouviu pelo menos oito testemunhas e todas elas mencionaram que os fatos ocorreram três meses depois da posse de Parini como prefeito, em março de 2005, quando o município vivia uma situação de calamidade pública por conta de fortes chuvas, o que teria obrigado o prefeito a tomar medidas urgentes. Em sua defesa, Parini alegou a urgência na realização das obras e afirmou que os trabalhos foram acompanhados pela então primeira-dama, Rosângela Parini e que, de início, ele não foi informado de que as compras tinham excedido o valor mínimo (R$ 8 mil) para dispensa de licitação.

Esta é a segunda vez, neste ano, que Parini escapa de uma condenação criminal. Em uma ação por crime de falsidade ideológica, ele chegou a ser condenado a um ano e dois meses de reclusão pela Justiça de Jales, mas, em março passado, o TJ-SP acabou extinguindo a punição sob a alegação de que a pena já estava prescrita. O ex-prefeito ainda responde a outro processo criminal, por posse irregular de arma de fogo. O processo foi aberto depois que a Polícia Federal, cumprindo mandado na casa do ex-prefeito, por conta do caso “Máfia do Asfalto”, encontrou um revólver Taurus, calibre 38, com a documentação vencida. 

No “Caso das Praças”, o Ministério Público, autor das ações contra Parini, já recorreu ao TJ-SP contra a decisão do juiz Curitiba.

O caso

No início de março de 2005, dois meses depois de assumir o comando da Prefeitura, o prefeito Humberto Parini escalou a primeira-dama Rose Parini – que ocupava o cargo de secretária da Promoção Social, em caráter voluntário – para coordenar a reforma paisagística das praças “Euphly Jalles”, “João Mariano de Freitas”, conhecida como Praça do Jacaré, e “Eurípedes Antonio de Oliveira”, a chamada Praça Japonesa, ao lado da Rodoviária. 

A repaginação custou cerca de R$ 31 mil. Custou também o cargo do então secretário de Planejamento, Marçal Rogério Rizzo, que, pressionado pela primeira-dama e pelo prefeito para assinar documentos referentes às reformas, preferiu pedir demissão, com apenas três meses de governo. O assunto chegou à Câmara Municipal e transformou-se em uma CEI, depois que a dona da empresa responsável pela execução das reformas, Leni Aparecida Giarletti Zambom, reclamou sobre a falta de pagamento dos serviços. O resultado da CEI foi encaminhado ao Ministério Público local, que ajuizou uma Ação Civil Pública e uma Ação Penal. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Outras matérias relacionadas
RELACIONADAS

Riva solicita à SABESP informações sobre obras na Avenida João Amadeu

Por meio do Requerimento nº 18/2026, o Vereador Rivelino...

Justiça absolve vereador da acusação de furto de terra

Em decisão liberada pouco depois das 20 horas do...

Em audiência pública, Prefeitura presta contas das metas fiscais do 3º quadrimestre de 2025

Na Audiência Pública promovida pela Prefeitura nesta quarta-feira, dia...

Câmara Jales define Comissões Permanentes para 2026

Na última segunda-feira, dia 2 de fevereiro, na 1843ª...