Terça-feira, Maio 19, 2026

Delegado alerta para o crescimento do golpe do falso advogado e orienta a população sobre como se proteger

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O golpe do falso advogado tem se tornado uma das modalidades criminosas mais frequentes no ambiente digital, atingindo especialmente pessoas que possuem processos judiciais em andamento, familiares de partes envolvidas em ações na Justiça e cidadãos que aguardam o recebimento de indenizações, valores trabalhistas, precatórios, revisões previdenciárias ou acordos judiciais. A prática criminosa, que vem se espalhando com rapidez por aplicativos de mensagens, ligações telefônicas e perfis falsos em redes sociais, preocupa autoridades policiais pela sofisticação da abordagem e pelo forte impacto emocional causado nas vítimas.
Em entrevista sobre o tema, o delegado de polícia Higor Vinicius Nogueira Jorge, especialista em investigação criminal tecnológica, explicou que esse tipo de golpe costuma ser praticado por criminosos que se passam por advogados, funcionários de escritórios de advocacia ou representantes do Poder Judiciário. Segundo ele, os golpistas geralmente entram em contato com a vítima afirmando que há valores disponíveis para saque, liberação de indenização, expedição de alvará judicial ou pagamento iminente de quantia relacionada a algum processo. Para dar aparência de veracidade, enviam documentos falsos, utilizam logotipos de tribunais, nomes de advogados reais, números de processos verdadeiros e até fotografias retiradas da internet.
“O criminoso sabe que, quando a vítima tem um processo em andamento, há uma expectativa legítima de receber alguma notícia. Ele explora exatamente esse momento de esperança, ansiedade e confiança. A pessoa acredita que está falando com alguém ligado ao seu advogado ou ao Judiciário e acaba sendo induzida a fazer pagamentos indevidos”, esclarece o delegado Higor Jorge.
De acordo com o delegado, a dinâmica mais comum envolve a solicitação de um pagamento antecipado. O golpista afirma que, para liberar determinado valor, seria necessário quitar uma suposta taxa judicial, imposto, certidão, custas processuais, honorários complementares ou despesa administrativa. Em muitos casos, o criminoso apresenta urgência artificial, dizendo que o pagamento precisa ser feito imediatamente para que o dinheiro não seja bloqueado, perdido ou devolvido. Esse senso de urgência é uma técnica clássica de manipulação psicológica utilizada em fraudes digitais.
“O primeiro sinal de alerta é a pressa. Sempre que alguém disser que você precisa pagar imediatamente para receber um valor judicial, desconfie. Na dúvida, interrompa a conversa, não clique em links, não faça PIX, não envie documentos e entre em contato diretamente com o advogado ou com o escritório por meio dos canais oficiais que você já conhece”, orienta.
O policial também chama atenção para o fato de que muitos criminosos utilizam informações reais dos processos judiciais. Isso ocorre porque parte dos dados processuais pode ser consultada publicamente em sistemas dos tribunais. A partir dessas informações, os golpistas constroem uma narrativa convincente, mencionando nomes, números de processos, partes envolvidas e detalhes suficientes para gerar confiança na vítima.
Para o delegado Higor Jorge, esse ponto exige atenção especial da população. “O fato de a pessoa saber o número do processo, o nome das partes ou o nome do advogado não significa que ela seja confiável. Hoje, criminosos pesquisam dados públicos, coletam informações na internet e montam golpes cada vez mais personalizados. A aparência de formalidade não deve substituir a confirmação segura da informação”, afirma.
Outro aspecto destacado pelo delegado é o uso de perfis falsos de WhatsApp com foto de advogados reais. Em algumas situações, os criminosos utilizam a imagem do profissional, copiam dados do escritório e iniciam contato com linguagem técnica, simulando atendimento jurídico. Também há casos em que enviam documentos com timbres falsificados, falsos mandados, falsas guias de recolhimento e comprovantes adulterados.
Segundo Higor Jorge, a vítima deve adotar alguns cuidados básicos. O primeiro é jamais realizar pagamento solicitado por mensagem sem confirmar pessoalmente com o advogado responsável pelo caso. O segundo é desconfiar de qualquer pedido de PIX para pessoa física desconhecida ou conta bancária sem relação com o escritório contratado. O terceiro é verificar o número de telefone utilizado no contato, pois muitos golpes partem de números diferentes daqueles normalmente usados pelo advogado. O quarto é evitar clicar em links recebidos por mensagens, especialmente quando prometem acesso a valores, alvarás, documentos judiciais ou cadastros de recebimento.
“O cidadão deve criar um procedimento pessoal de segurança. Recebeu uma mensagem sobre processo judicial, valores a receber ou necessidade de pagamento? Pare, respire e confirme. Ligue para o advogado pelo número salvo anteriormente na agenda, procure o escritório presencialmente se necessário e nunca tome decisão financeira sob pressão”, reforça.
Higor Jorge também orienta que, caso a pessoa tenha caído no golpe, é fundamental agir rapidamente. A vítima deve preservar todas as mensagens, números de telefone, comprovantes de pagamento, chaves PIX, nomes utilizados pelos criminosos, documentos recebidos e eventuais links enviados. Em seguida, deve registrar boletim de ocorrência e comunicar imediatamente a instituição financeira, solicitando providências para tentativa de bloqueio ou recuperação dos valores transferidos.
“O tempo é decisivo. Quanto mais rápido a vítima comunica o banco e registra a ocorrência, maiores são as chances de adoção de medidas para rastreamento dos valores e identificação dos envolvidos. Apagar conversas ou deixar de guardar comprovantes dificulta a investigação”, explica.
O delegado também ressalta a importância de os escritórios de advocacia reforçarem a comunicação preventiva com seus clientes. Advogados devem informar previamente quais são seus canais oficiais de atendimento, orientar que não solicitam pagamentos inesperados por mensagens informais e alertar sobre o risco de falsificação de identidade profissional. Para Higor Jorge, a prevenção deve envolver a população, os profissionais do Direito, os órgãos de segurança pública e as instituições financeiras.
“O golpe do falso advogado não atinge apenas a vítima que perde dinheiro. Ele também abala a confiança na advocacia, no sistema de Justiça e nas comunicações legítimas entre profissionais e clientes. Por isso, a informação preventiva é uma das principais ferramentas de enfrentamento”.
A orientação final do delegado Higor Vinicius Nogueira Jorge é clara: qualquer promessa de liberação rápida de valor judicial mediante pagamento antecipado deve ser tratada com extrema cautela. Antes de transferir dinheiro, enviar documentos ou fornecer dados pessoais, a pessoa deve confirmar a autenticidade do contato por canais seguros e oficiais.
“Desconfie de urgências, confirme a identidade de quem está falando com você e nunca faça pagamento para receber suposto valor judicial sem antes consultar diretamente o seu advogado. A prevenção, nesse tipo de golpe, começa com uma atitude simples: não agir no impulso”, conclui o delegado.

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