A partir deste mês de janeiro, as cinco companhias telefônicas que operam no Brasil estão autorizadas a desativar os 38 mil telefones públicos que ainda sobrevivem. Em dezembro de 2025, foram encerradas as concessões do serviço de telefonia fixa das empresas. A mudança ocorre após a adaptação dos antigos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime de autorização, previsto na Lei Geral de Telecomunicações.
Os chamados “orelhões” tiveram muita utilidade a partir do começo da década de 80, mas desde a popularização dos celulares – que também aceleraram a extinção das linhas fixas – seu uso foi sendo reduzido gradativamente. Hoje em dia, é praticamente impossível encontrar um estabelecimento que venda cartões com crédito para serem usados nos orelhões. A maioria dos orelhões que ainda permanecem não funciona.
É o caso dos aparelhos instalados no Terminal Rodoviário de Jales “Prefeito José Antônio Caparroz”. No dia 13 de julho do ano passado, a reportagem do jornal A Tribuna esteve no local e testou os cinco aparelhos que ainda estão instalados lá. Apenas dois estavam em pleno estado de funcionamento. E raramente eram usados.
Com base nas informações mais recentes sobre a região noroeste de São Paulo, orelhões estão em processo de remoção na área, com mais de 700 aparelhos sendo retirados em cidades próximas, incluindo áreas atendidas pela Vivo. Mas não há um número exato de quantos ainda existem, quantos estão inativos e quantos já foram retirados.
O Estado de São Paulo concentra o maior número de orelhões: 27.918 ativos e 808 em manutenção. Em seguida vêm a Bahia, com 965 ativos e 525 em manutenção, e o Maranhão, com 653 ativos e 516 em manutenção.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), não há norma que determine ou regulamente expressamente a retirada dos orelhões não obrigatórios, mas a agência avalia solicitar às prestadoras adaptadas a apresentação de um plano de retirada desses terminais.
Os usuários também podem solicitar às prestadoras a retirada dos orelhões não obrigatórios diretamente nas centrais de atendimento das empresas.
De acordo com a Anatel, as empresas se comprometeram a realizar investimentos em infraestrutura de telecomunicações no país, como a implantação de fibra óptica em localidades desprovidas dessa infraestrutura, a instalação de antenas de telefonia celular (com tecnologia mínima 4G) em áreas sem cobertura adequada, a expansão da rede móvel em municípios, a implantação de cabos submarinos e fluviais, a conectividade em escolas públicas e a construção de data centers.
Segundo a Anatel, as prestadoras precisam observar o cumprimento das obrigações remanescentes, especialmente a manutenção, até 31 de dezembro de 2028, de aproximadamente nove mil orelhões instalados no território nacional, em localidades nas quais a cobertura da telefonia celular ainda se apresenta deficiente.
Ainda segundo a Anatel, a quase inexistência de telefones de uso público nas ruas representa o sucesso de medidas adotadas ao longo de décadas que possibilitaram a ampliação das redes móveis e de fibra óptica.
Telefonia fixa caiu para menos da metade em 7 anos
Os números do portal da Anatel mostram que em novembro de 2025 Jales registrou 3258 pontos de acesso de telefonia fixa. A densidade do serviço era de 6,5 acessos para cada 100 habitantes, valor 62,4% menor que a densidade do Estado de São Paulo que era de 17,3.
O número vem caindo sensivelmente nos últimos anos. Em 2019 eram 7115 pontos de acesso. Em 2020 esse número caiu para 5873, em 2022 eram 4843, em 2024 eram 4181 e no ano passado caiu para 3258, o que equivale a aproximadamente a 45% do número de 7 anos antes.
Por outro lado, o número de pontos de acesso de telefonia móvel cresceu na mesma velocidade. Em 2019 haviam 46.487 pontos de acesso de telefonia móvel em Jales. Em 2021 já eram 54.055, em 2023 o número subiu para 57.549, subindo para 58.651 em 2024, e chegando a 58.110 em 2025.
A densidade do serviço em Jales é de 104,4 acessos para cada 100 habitantes, valor 9,8% menor que a densidade no Estado de São Paulo que é de 115,7 acessos para cada 100 habitantes.
A VIVO lidera, seguida pela Claro e a TIM. Como na maior parte do país, a tecnologia 4G ainda é a mais usada, alcançando 36.355 pontos. A tecnologia 5G está disponível para apenas 15.977 pontos. Mas ainda há pontos de acesso nas tecnologias 3G e 2G.
Orelhões começam a ser retirados das ruas neste mês
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