Juiz mantém prisão de aposentado indiciado por envenenamento de animais

Date:

Em audiência de custódia realizada na quarta-feira, o juiz de garantias Guilherme Facchini Bocchi Azevedo manteve a prisão do aposentado Ademar Bocalon Rodrigues, 72 anos, acusado de envenenar diversos animais nos arredores da sua casa no Jardim América, em Jales.
“Em apresentação nesta audiência de custódia, questionou-se pormenorizadamente sobre as circunstâncias da prisão (…) e não há elementos que permitam concluir ter havido tortura ou maus tratos ou ainda descumprimento dos direitos constitucionais assegurados ao preso”, atestou o magistrado. “Quanto ao mérito da constrição, nada a deliberar, pois se trata de prisão decorrente de ordem judicial devidamente cumprida por mandado, ficando portanto homologada. O pedido de liberdade provisória formulado pela patrona em audiência deve ser direcionado ao juízo expedidor da ordem, competente para análise. Assim, comunique-se o cumprimento do mandado, com envio de cópia deste termo e encaminhamento do preso à disposição daquele juízo, e posterior redistribuição”, concluiu.
A prisão foi pedida um dia antes pelo delegado Marcel Farinazzo e homologada pelo promotor Eduardo Hiroshi Shintani. “Pelas imagens, constatou que, no dia dos fatos, por volta das 15h27min24s, o investigado, conduzindo um veículo VW/Voyage de cor branca, aproximou-se da frente da casa da tutora e lançou uma sacola plástica branca, que colidiu com o portão e permaneceu próxima à grade. Em determinado momento, uma das cadelas conseguiu alcançar a sacola, ingerindo parte de seu conteúdo, o que desencadeou os sintomas de intoxicação posteriormente observados. As imagens indicam, de forma clara, que o condutor do veículo agiu com a intenção de causar a morte dos animais”, justificou o promotor no Pedido de Prisão.

AÇÃO DELITIVA
Durante a investigação, a Polícia Civil analisou mais de 170 horas de filmagens e concluiu que entre os dias 8 e 16 de outubro de 2025, diversos cães e gatos apareceram mortos nas ruas do Jardim América, vítimas de envenenamento por substância tóxica.
As investigações descobriram que o método era o mesmo: o aposentado percorria as ruas do bairro em seu VW/Voyage branco e arremessava sacolas plásticas com alimentos envenenados nos quintais de residências e empresas da vizinhança. Exatamente da forma que as câmeras de segurança da casa da comerciária Vitória Roberta Moraes de Souza flagraram na quarta-feira da semana passada, dia 15 de outubro.
Com a publicação do caso, outros tutores procuraram a polícia para registrar reclamações semelhantes. Pelo menos sete casos foram registrados (quatro cachorros e dois gatos morreram), sendo que apenas um cão sobreviveu. A polícia acredita que todos os envenenamentos foram causados pelo mesmo autor. “Os indícios são conclusivos para a autoria criminosa por parte dele e logramos êxito em encontrar substância sugestiva a veneno na residência dele”, disse o delegado responsável pelo caso, Marcel Farinazzo.
Com a expedição do mandado de prisão e busca a apreensão, os policiais foram até a casa do suspeito e lá encontraram produtos tóxicos com potencial para envenenar os animais. Preliminarmente, Ademar Bocalon preferiu fiar com silêncio e disse que prestaria depoimento oficial com a presença da sua advogada. O teor do depoimento não foi divulgado. As imagens, os laudos veterinários e os produtos serão juntados ao inquérito e servirão de prova no processo.

MORTES EM SÉRIE
Como o jornal A Tribuna noticiou em sua edição passada, o aposentado de 72 anos (ex-corretor de seguros) que foi preso nesta terça-feira, foi filmado jogando um saco plástico com veneno no quintal de uma casa do Jardim América na tarde de quarta-feira, 15. As imagens mostram o homem conduzindo um carro branco, se aproximando do portão da residência localizada na Rua Dezenove, no Jardim América, e jogando a sacola plástica para dentro do quintal em direção a duas cadelas que estavam no local. Uma delas pega a sacola e come o conteúdo.
Em depoimento, a dona da casa e tutora dos animais relatou que deixou a casa para ir ao trabalho por volta de 7 horas da manhã do dia 15 e ao retornar à residência, aproximadamente às 17h40, constatou que uma das cadelas apresentava um quadro clínico de debilidade, acompanhado de diarreia e salivação excessiva, espumando pela boca.
A mulher prontamente levou o animal para atendimento veterinário, mas no estabelecimento, mesmo após a administração de medicamentos, a cadela sofreu convulsões, morrendo em seguida. O laudo emitido pelo médico veterinário atestou que a causa da morte foi envenenamento.
Em outro caso, registrado no dia 8 de outubro, o tutor informou à polícia que o seu animal, um cão da raça beagle, de dez anos, morreu ao comer uma substância deixada em uma sacola, na calçada em frente à casa dele.
Ao retornar para a residência, o tutor encontrou o animal morto, com sinais de vômito, manchas escuras e diarreia, além da espuma branca na boca. A vítima acionou o setor de Zoonoses, que orientou o enterro em um aterro sanitário.
Outro caso foi registrado no dia 16 de outubro. Segundo o B.O., o tutor também procurou a polícia e informou que encontrou a cachorra, sem raça definida, de oito anos, embaixo do carro dele, com vômito e espuma na boca. A 50 metros da casa, o tutor localizou os resquícios de uma substância semelhante a “chumbinho”, próximo à guia da calçada. O animal foi enterrado em um terreno e não foi submetido ao exame.
A polícia investiga outras denúncias e o número de casos pode aumentar.

Manifestantes pediram a prisão do suspeito
Matéria do jornalista Rafael Honorato informa que um grupo de cerca de 40 pessoas realizaram uma manifestação no final da tarde desta segunda-feira, dia 20, em frente à Central de Polícia Judiciária, na Avenida João Amadeu. Com cartazes e apitos, elas pediram justiça pelos recentes casos de envenenamento de animais registrados na cidade.
Em seguida, as manifestantes seguiram para a Câmara Municipal de Jales, onde ocorria a sessão ordinária, e pediram providências durante cerca de 15 minutos.
Em entrevista ao repórter, as participantes explicaram que a mobilização teve como objetivo “cobrar agilidade nas investigações e nas decisões sobre os casos”.

Da Redação
Da Redaçãohttps://atribunajales.com.br
Conteúdo produzido pela equipe de redação do Jornal A Tribuna de Jales, veículo de comunicação do noroeste paulista em circulação desde 1987. Cobrimos Jales e região com foco em política, segurança, saúde, educação, economia e esportes. A assinatura Da Redação é usada nas matérias produzidas coletivamente pela equipe do jornal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Outras matérias relacionadas
RELACIONADAS

Operação “Protetor de Divisas” aborda 54 veículos e apreende maconha na região de Jales

A Delegacia Seccional de Polícia de Jales realizou, nesta...

Delegado de Polícia lança obra sobre Inteligência Artificial aplicada à Polícia Judiciária

A Editora Juspodivm lança a 2ª edição, revista, atualizada...

Tragédia aérea em Marília mata dois pilotos e fere um terceiro

A queda de um avião bimotor no fim da...

Delegado estima que prédio da Seccional seja entregue até agosto

A reforma da Delegacia Seccional de Polícia de Jales...