Sábado, Março 7, 2026

Juiz mantém prisão de aposentado indiciado por envenenamento de animais

Date:

Em audiência de custódia realizada na quarta-feira, o juiz de garantias Guilherme Facchini Bocchi Azevedo manteve a prisão do aposentado Ademar Bocalon Rodrigues, 72 anos, acusado de envenenar diversos animais nos arredores da sua casa no Jardim América, em Jales.
“Em apresentação nesta audiência de custódia, questionou-se pormenorizadamente sobre as circunstâncias da prisão (…) e não há elementos que permitam concluir ter havido tortura ou maus tratos ou ainda descumprimento dos direitos constitucionais assegurados ao preso”, atestou o magistrado. “Quanto ao mérito da constrição, nada a deliberar, pois se trata de prisão decorrente de ordem judicial devidamente cumprida por mandado, ficando portanto homologada. O pedido de liberdade provisória formulado pela patrona em audiência deve ser direcionado ao juízo expedidor da ordem, competente para análise. Assim, comunique-se o cumprimento do mandado, com envio de cópia deste termo e encaminhamento do preso à disposição daquele juízo, e posterior redistribuição”, concluiu.
A prisão foi pedida um dia antes pelo delegado Marcel Farinazzo e homologada pelo promotor Eduardo Hiroshi Shintani. “Pelas imagens, constatou que, no dia dos fatos, por volta das 15h27min24s, o investigado, conduzindo um veículo VW/Voyage de cor branca, aproximou-se da frente da casa da tutora e lançou uma sacola plástica branca, que colidiu com o portão e permaneceu próxima à grade. Em determinado momento, uma das cadelas conseguiu alcançar a sacola, ingerindo parte de seu conteúdo, o que desencadeou os sintomas de intoxicação posteriormente observados. As imagens indicam, de forma clara, que o condutor do veículo agiu com a intenção de causar a morte dos animais”, justificou o promotor no Pedido de Prisão.

AÇÃO DELITIVA
Durante a investigação, a Polícia Civil analisou mais de 170 horas de filmagens e concluiu que entre os dias 8 e 16 de outubro de 2025, diversos cães e gatos apareceram mortos nas ruas do Jardim América, vítimas de envenenamento por substância tóxica.
As investigações descobriram que o método era o mesmo: o aposentado percorria as ruas do bairro em seu VW/Voyage branco e arremessava sacolas plásticas com alimentos envenenados nos quintais de residências e empresas da vizinhança. Exatamente da forma que as câmeras de segurança da casa da comerciária Vitória Roberta Moraes de Souza flagraram na quarta-feira da semana passada, dia 15 de outubro.
Com a publicação do caso, outros tutores procuraram a polícia para registrar reclamações semelhantes. Pelo menos sete casos foram registrados (quatro cachorros e dois gatos morreram), sendo que apenas um cão sobreviveu. A polícia acredita que todos os envenenamentos foram causados pelo mesmo autor. “Os indícios são conclusivos para a autoria criminosa por parte dele e logramos êxito em encontrar substância sugestiva a veneno na residência dele”, disse o delegado responsável pelo caso, Marcel Farinazzo.
Com a expedição do mandado de prisão e busca a apreensão, os policiais foram até a casa do suspeito e lá encontraram produtos tóxicos com potencial para envenenar os animais. Preliminarmente, Ademar Bocalon preferiu fiar com silêncio e disse que prestaria depoimento oficial com a presença da sua advogada. O teor do depoimento não foi divulgado. As imagens, os laudos veterinários e os produtos serão juntados ao inquérito e servirão de prova no processo.

MORTES EM SÉRIE
Como o jornal A Tribuna noticiou em sua edição passada, o aposentado de 72 anos (ex-corretor de seguros) que foi preso nesta terça-feira, foi filmado jogando um saco plástico com veneno no quintal de uma casa do Jardim América na tarde de quarta-feira, 15. As imagens mostram o homem conduzindo um carro branco, se aproximando do portão da residência localizada na Rua Dezenove, no Jardim América, e jogando a sacola plástica para dentro do quintal em direção a duas cadelas que estavam no local. Uma delas pega a sacola e come o conteúdo.
Em depoimento, a dona da casa e tutora dos animais relatou que deixou a casa para ir ao trabalho por volta de 7 horas da manhã do dia 15 e ao retornar à residência, aproximadamente às 17h40, constatou que uma das cadelas apresentava um quadro clínico de debilidade, acompanhado de diarreia e salivação excessiva, espumando pela boca.
A mulher prontamente levou o animal para atendimento veterinário, mas no estabelecimento, mesmo após a administração de medicamentos, a cadela sofreu convulsões, morrendo em seguida. O laudo emitido pelo médico veterinário atestou que a causa da morte foi envenenamento.
Em outro caso, registrado no dia 8 de outubro, o tutor informou à polícia que o seu animal, um cão da raça beagle, de dez anos, morreu ao comer uma substância deixada em uma sacola, na calçada em frente à casa dele.
Ao retornar para a residência, o tutor encontrou o animal morto, com sinais de vômito, manchas escuras e diarreia, além da espuma branca na boca. A vítima acionou o setor de Zoonoses, que orientou o enterro em um aterro sanitário.
Outro caso foi registrado no dia 16 de outubro. Segundo o B.O., o tutor também procurou a polícia e informou que encontrou a cachorra, sem raça definida, de oito anos, embaixo do carro dele, com vômito e espuma na boca. A 50 metros da casa, o tutor localizou os resquícios de uma substância semelhante a “chumbinho”, próximo à guia da calçada. O animal foi enterrado em um terreno e não foi submetido ao exame.
A polícia investiga outras denúncias e o número de casos pode aumentar.

Manifestantes pediram a prisão do suspeito
Matéria do jornalista Rafael Honorato informa que um grupo de cerca de 40 pessoas realizaram uma manifestação no final da tarde desta segunda-feira, dia 20, em frente à Central de Polícia Judiciária, na Avenida João Amadeu. Com cartazes e apitos, elas pediram justiça pelos recentes casos de envenenamento de animais registrados na cidade.
Em seguida, as manifestantes seguiram para a Câmara Municipal de Jales, onde ocorria a sessão ordinária, e pediram providências durante cerca de 15 minutos.
Em entrevista ao repórter, as participantes explicaram que a mobilização teve como objetivo “cobrar agilidade nas investigações e nas decisões sobre os casos”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Outras matérias relacionadas
RELACIONADAS

669 motoristas são fiscalizados durante operação contra mistura de álcool e direção

Foi realizada na última sexta-feira (23/1) em Jales, a...

Carro que pode ter sido usado em homicídio é encontrado incendiado

Um crime com características de premeditação foi registrado em...

Polícia faz operação contra o tráfico em Jales e cidades da região

Uma grande operação integrada entre as Polícias Civil e...