Sábado, Março 7, 2026

Bispos de Jales foram espionados pelo governo Bolsonaro

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Relatório da Polícia Federal tornado público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 18 revelou que 152 bispos católicos foram alvo de espionagem por um grupo extraoficial formado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) para monitorar opositores ou quem eles julgassem que fossem. Na região foram espionados quatro bispos, Dom Reginaldo Andrietta e Dom Demétrio Valentini (bispo emérito), além de Antônio Celso de Queirós (já falecido), de Catanduva; e Milton Ke nan Júnior, de Barretos. O “pecado” dos religiosos foi assinar um manifesto pedindo mudança de rumos ao governo nas áreas da saúde, educação, economia, cultura e diplomacia, entre outros. A “Carta ao Povo de Deus” foi publicada em 22 de julho de 2020, em plena pandemia do novo coronavírus.
Além dos 152 bispos e arcebispos que assinaram o manifesto, o documento foi subscrito também por cerca de mil padres. A Igreja tem atualmente, 316 bispos ativos na CNBB e 172 eméritos totalizando 488 bispos vivos.
O pedido de dossiês dos bispos e arcebispos partiu, segundo o relatório da PF, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), comandado pelo general da qual a Abin era subordinada na época. E foi encaminhado ao diretador junto na ocasião, Frank Már cio de Oliveira, que repassou a determinação a um agente da Polícia Federal cedido à agência. Frank e o agente estão entre os 35 indiciados pela PF na investigação. Em trocas de mensagens incluídas no inquérito, Frank é informado por um agente sobre a carta dos bispos e responde ao interlocutor: “Vamos fazer um perfil de cada um”.
Em outro trecho, a PF relata que “o emprego de recursos humanos, tecnológicos e financeiros da Agência se deu em razão de manifesto da Igreja Católica assinado por 152 bispos”.
QUEM MAIS FOI
ESPIONADO
A Polícia Federal indiciou 35 pessoas no relatório final da investigação sobre a “Abin paralela”, estrutura que teria sido criada na gestão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL) à frente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. A estrutura teria sido utilizada para espionagem política de adversários e ataque às urnas eletrônicas.
O relatório aponta que Bolsonaro foi o principal destinatário das informações produzidas pelas ações clandestinas de espionagem. O ex-presidente não foi formalmente indiciado, porque já responde por organização criminosa em outro processo, mas é apontado como líder das ações de arapongagem.
Além dos religiosos, foram espionados jornalistas, parlamentares, procuradores, Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, a então deputada Joice Hasselmann, antiga aliada de Bolsonaro que passou a desafeto do ex-presidente.
Alexandre de Moraes, ministro do STF;Luís Roberto Barroso, presidente do STF; deputado Kim Kataguiri (União-SP);deputado Arthur Lira (PP-AL);senador Renan Calheiros (MDB-AL);senador Omar Aziz (PSD-AM);senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
CARTA AO POVO DE DEUS
O documento assinado pelos 152 bispos de todos os estados do país bispos contem 16 tópicos que discorrem sobre temas sensíveis à Igreja Católica e propõe um “amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com ‘terra, teto e trabalho’, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos”.
O grupo ressalva que não tem interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. “Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor”.
Preocupados com a atuação do Governo Federal da época especialmente no enfrentamento da covid-19 e com as medidas que seriam tomadas para recuperação da economia, os bispos alertaram que o Brasil atravessava um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade, afirmaram, é “a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança”.
No trecho ais contundente, o manifesto é enfático: O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas. No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda. 12. Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil.

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