A Prefeitura de Jales acaba de instalar um memorial, com direito a imagem e ninho, ao animal que batiza popularmente a praça mais central de Jales. Voltada para a Avenida Francisco Jalles, a mais movimentada da cidade, a imagem do famoso jacaré não pretende substituir o animal que chamou a atenção de tantos visitantes durante décadas, mas apenas manter viva a sua memória.
Oficialmente, a praça João Mariano de Freitas leva o nome de um dos pioneiros da cidade e um dos primeiros vereadores jalesenses, mas a permanência de alguns jacarés, cágados, tartarugas e outros anfíbios em um pequeno lago dentro da praça fez com que ela ficasse conhecida popularmente como “Praça do Jacaré”.
A história de como um pequeno grupo de pescadores levou para a praça um jacaré, depois de encontrá-lo em uma de suas pescarias, e os motivos que fizeram a Polícia Ambiental levar os animais para um santuário em Araçatuba, há cerca de onze anos, será contada de forma resumida em uma placa que fará parte do memorial. A pesquisa está a cargo do secretário de administração, Reginaldo Viota que terá a colaboração, entre outros, do vereador Rivelino Rodrigues, que prometeu intermediar o contato com um dos pescadores.
MAUS TRATOS
Em novembro de 2009, o Ministério Público e a Polícia Ambiental decidiram abrir uma investigação para apurar as denúncias de que os animais que viviam na praça central da cidade – entre eles o jacaré – eram vítimas de maus-tratos e estavam praticamente abandonados.
Segundo essas denúncias, a alimentação era precária e feita à base de hortaliças. “Só folha de repolho para esses bichos, o jacaré come acho que duas vezes por semana. De vez em quando ele pega uma tartaruga, de vez em quando pega uma pomba”, disse o corretor João Antônio da Silva, ao então Bom Dia São Paulo, da TV Globo.
“Havia ali falta de cálcio, por isso que os animais estão perdendo as carapaças. Essa descalcificação é provocada pela alimentação baseada somente em verduras. Esses animais precisam de alimentos, jacaré precisa de mais carne”, explicou Renato Montanari, da Polícia Ambiental, na época.
O veterinário Aloísio Siqueira apontou que a água no ambiente era contaminada, o ambiente era sujo, e havia grande o estresse de observação. “As pessoas ficam cutucando, jogando pedra. Tanto que já teve mais de um jacaré e hoje só tem um”.
A situação resultou em uma recomendação do MP para a transferência dos animais para um ambiente mais adequado em Araçatuba, o que acabou ocorrendo no começo do ano seguinte.


