Advogado mata ex-vereador com golpe de caneta

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O ex-vereador de São Francisco, João Antonio Padula, 53 anos, foi morto pelo advogado C. P. C., de 34 anos, na noite de quarta-feira, 8, por volta das 20 horas, após uma discussão. Segundo a polícia, Padula – que era cliente de C.C. – teria entrado em luta corporal com o advogado, aplicando-lhe uma “gravata”. Para se livrar do golpe o advogado, mesmo de costas, atingiu o pescoço de Padula com uma caneta. O advogado contou durante o depoimento que escorregou no sangue da vítima e ambos caíram. Como Padula caiu por cima do advogado e mesmo ferido continuou com a “gravata”, C. apoderou de um martelo e desferiu um ou mais golpes na cabeça do ex-vereador.

Os dois estavam sozinhos no escritório do advogado e o crime só foi descoberto por volta das 2h40 da madrugada. Durante mais de seis horas, o advogado permaneceu trancado em uma sala do escritório onde trabalha, em estado de choque. Por volta das 2 horas da manhã, ele ligou para a esposa e tentou explicar o que havia acontecido. Sem entender direito o que estava se passando com o marido, ela acionou um amigo policial, que foi até o escritório, onde encontrou C.P.C. ensanguentado e ainda em estado de choque. Em um canto da sala, o corpo de Padula estava envolto em sangue. A polícia foi chamada e o advogado encaminhado à Delegacia, onde prestou depoimento na manhã de quinta-feira. “Eu e outro policial fomos até o escritório e vimos muito sangue no local. Eles discutiram e o pecuarista avançou sobre o advogado, que levou uma gravata e reagiu atacando o Padula com a caneta com ponta de metal que deve ter atingido uma veia do pescoço”, confirmou o delegado operacional Sebastião Biazi, da Polícia Civil de Jales.

O motivo da discussão entre os dois não foi revelado, mas alguns amigos do advogado asseguram que Padula teria ficado descontente após ser comunicado sobre o resultado de uma ação na qual estava sendo defendido pelo escritório de C. No site do Tribunal de Justiça o nome de Padula aparece em vários processos, nos quais o advogado atua na defesa. Ainda de acordo com amigos do advogado, ele apresentava escoriações que confirmavam a versão da luta corporal.

Versões dão conta de que Padula já teria se desentendido com o advogado em ocasiões anteriores. “Tanto que a esposa do C. sempre o acompanhava, quando ele tinha algum encontro com esse cliente, fora do horário de expediente. Ela só não o acompanhou ontem porque imaginava que o encontro seria com outro cliente”, diz uma amiga da família. A amiga disse que a esposa do advogado não estranhou a demora do marido porque ele, sempre que ia ao escritório depois do expediente, costumava trabalhar em processos até de madrugada.    

O filho de Padula, estranhando o desaparecimento do pai, já teria procurado a polícia na noite de quarta-feira. Ele teria visto a caminhonete de Padula em frente ao escritório de advocacia e tentou entrar, mas encontrou tudo trancado.  

Após depor na Central de Polícia Judiciária, o advogado alegou legítima defesa. Ele foi autuado por homicídio simples, cuja pena varia de seis a doze anos de prisão. A OAB –Ordem dos Advogados do Brasil de Jales acompanha o caso.

No final da tarde da quinta-feira, o juiz da 5ª Vara, Adilson Belotti, decretou a prisão preventiva do advogado. A defesa alegou que irá recorrer e solicitar a prisão domiciliar de C.P.C.

Redação A Tribuna
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