Neste dia 12 de março, se completaram cinco anos que a primeira morte por covid-19 foi registrada no Brasil, dando início à maior e mais mortal pandemia da história recente. A vítima era uma mulher de 57 anos, que havia sido internada no Hospital Municipal Dr.Carmino Caricchio, em São Paulo, no dia anterior. Poucos dias antes, em 26 de fevereiro de 2020, foi confirmado o primeiro caso de covid-19 no país: um homem de 61 anos, que havia viajado para a Itália e estava em atendimento desde o dia 24 no Hospital Israelita Albert Einstein.
Havia ainda, na ocasião, 20 casos suspeitos de infecção pelo coronavírus monitorados pela pasta em sete estados do país – Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Desde então, o alto poder de contaminação do vírus e episódios de franco negacionismo e resistência às vacinas e às medidas de proteção levaram a uma escalada que resultou na morte de mais de 700 mil pessoas. Em abril de 2021, o Brasil chegou a registrar mais de 4 mil mortes por dia. Mas foi também no começo de 2021 que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.
JALES
Em Jales, o primeiro caso foi um rapaz de 24 anos. Ele não figurava na lista de suspeitos e fez o exame em laboratório particular. Tratava-se de um caso importado.
A identidade do paciente não foi revelada,mas ele morava fora e a família reside na cidade. Ele chegou a Jales no dia 27 de março, sexta-feira, e fez os exames assim que sentiu os sintomas.
Um homem de 66 anos, morador de Pontalinda, foi a primeira morte por Covid-19 na região de Jales. Ele sofria de diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, não tinha família na região e estava internado. O óbito foi registrado à 1h26 de madrugada de sexta-feira, 22 de maio.
O primeiro óbito registrado na cidade de Jales foi registrado em 14 de junho de 2020, é uma ex-tabagista de 59 anos, sem doenças preexistentes, foi a segunda pessoa moradora de Jales a sucumbir aos efeitos covid-19. Ela morreu na sexta-feira, 26 de junho, na Santa Casa de Jales, apenas 12 dias depois do primeiro óbito.
Rapidamente os casos se multiplicaram e os óbitos também.
O então prefeito de Jales, Flávio Prandi Franco, decretou o fechamento do comércio jalesense a partir de segunda-feira, 23 de março de 2020. Flá atendeu pedido feito pelas quatro entidades classistas do comércio no dia anterior.
O decreto determinava a suspensão do atendimento ao público em estabelecimentos comerciais no Município de Jales, no período de 23 de março a 6 de abril. Porém, foram liberadas as atividades internas dos estabelecimentos, bem como a realização de transações por meio de aplicativos, internet, telefone ou outros instrumentos similares e os serviços de entrega de mercadorias (delivery).
Também foi suspensa pelo mesmo período a cobrança da chamada Zona Azul, o transporte coletivo intermunicipal de passageiros na modalidade fretamento; e, o transporte coletivo urbano; além dos serviços de taxi, moto-táxi e transporte por aplicativos.
Casas noturnas e demais estabelecimentos dedicados à realização de festas, eventos ou recepções ficaram impedidos de realizar atividades durante o período.
Até a Jales Rodeio Show, que estava prevista para acontecer em abril, foi adiada para setembro. A Prefeitura de Jales publicou no dia 29 de abril de 2020, o Decreto nº. 8.079,que estabeleceu a obrigatoriedade do uso de máscaras e álcool em todos os estabelecimentos que atendem o público em Jales.
No dia 4 de fevereiro de 2021, já na administração de Luis Henrique Moreira, a Prefeitura decretou Luto Oficial por conta da centésima morte por covid-19 no município.
Ele e a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Alziane Rossafa Moreira testaram positivo para a Covid-19, e entre os dias 9 e 11 de fevereiro, cumpriram a quarentena e foram liberados para as atividades presenciais.
COVIDÁRIO
UPA e Santa Casa criaram espaços exclusivos para atendimentos de pacientes com síndromes gripais e vários protocolos tiveram que ser atualizados, transformando o sistema até hoje. No dia 31 de março, Jales passou a contar com um local exclusivo para atendimento de pacientes suspeitos ou confirmados com a Covid-19. A implantação de uma unidade exclusiva na ESF Honório Amadeu, conhecida como Uniamérica, na Avenida da Integração,no Jardim Trianon, onde já funcionou o antigo Pronto Socorro, foi destacada pelo prefeito Luis Henrique para o atendimento prioritário. O local foi apelidado de “covidário” e recebeu milhares de pacientes, desafogando os leitos dos hospitais e salvando um número incontável de vidas. Naquela ocasião, pacientes se acumulavam em leitos improvisados na UPA, Santa Casa e até o Hospital de Amor forneceu equipamentos para reforçar o atendimento.
Até aquele dia, 154 vidas já tinham sido perdidas para a Covid-19 e havia 789 casos suspeitos na cidade. No dia anterior, 4 pacientes morreram somente na UPA.
RESTRIÇÕES
O Governo do Estado estabeleceu uma série de protocolos e medidas que deveriam ser atendidas pelos municípios de acordo com a gravidade da doença. A região noroeste se encontrava na fase Vermelha, a mais grave de todas e com medidas mais restritivas.
Além das restrições já determinadas pela Fase Vermelha do Plano São Paulo, os municípios de Jales, Fernandópolis e Votuporanga colocaram em prática novas medidas restritivas para o enfrentamento no avanço da covid-19.
Após reunião realizada através de videoconferência na manhã da quinta-feira, dia 4 de março de 2021, os prefeitos de Jales, Fernandópolis e Votuporanga determinaram medidas que serão necessárias para proteger a população.
Entre ela, foram suspensas as aulas presenciais em todas as instituições de ensino localizadas nos municípios.
AULAS SUSPENSAS
Após diversas reuniões entre executivo, profissionais da educação e saúde, e parecer do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, a Prefeitura de Jales decidiu por não retornar as aulas presenciais, no dia 1º de fevereiro, conforme previa o calendário escolar.
Integrantes do Comitê se reuniram na tarde do dia 14 de janeiro na então Casa do Médico, no Jardim Oiti, com o prefeito Luis Henrique Moreira, a vice-prefeita Marynilda Cavenaghi, profissionais das secretarias municipais de saúde, educação, comunicação, administração, fazenda, agricultura, além de representantes de entidades e órgãos da cidade, como a Associação Comercial e Industrial de Jales (Acij). Na ocasião, médicos e profissionais manifestaram suas opiniões e a palavra foi aberta aos presentes. Os profissionais da Educação também apresentaram pesquisas recentes feitas com pais e responsáveis pelos alunos da rede municipal de ensino. A maioria deles optou pelo adiamento da volta dos alunos às salas de aula.
Com a decisão, ficaram suspensas, temporariamente, todas as aulas e atividades presenciais com alunos, da Educação Infantil.
VACINAÇÃO
Numa quarta-feira, 20 de janeiro de 2021, três trabalhadores da área da saúde foram os primeiros moradores de Jales a receberem a vacina contra o coronavírus. O ato simbólico, realizado na sede da Secretaria Municipal de Saúde, registrou o início da Campanha de Vacinação na cidade.
O município recebeu 920 doses do imunizante. A primeira remessa da vacina chegou no início da tarde e foi recebida pela equipe do Grupo de Vigilância Epidemiológica Estadual (GVE) e Secretaria Municipal de Saúde de Jales.
Três doses foram retiradas das caixas para utilização no ato de abertura da Campanha de Vacinação. Foram vacinados a enfermeira Sueli da Silva (ESF Luiz Ernesto Sandi Mori), o enfermeiro Luiz Fernando Bertoldo (Santa Casa) e o técnico em enfermagem Pedro Arthur dos Santos (SAMU). Eles foram escolhidos por fazerem parte da linha de frente no combate à doença e também em função do tempo de serviço de cada um e na representatividade de seus colegas de profissão.
Além da Prefeitura de Jales, entidades sociais, igrejas e associações se mobilizaram para arrecadar alimentos e para auxiliar na vacinação da população.
Por outro lado, alguns empresários se manifestaram contra as medidas de restrição e chegaram a desobedecer algumas normas. Houve casos de afronta a fiscais da Vigilância Sanitária registrados em Boletim de Ocorrência. Filas se formaram em vários estabelecimentos.
Atualmente, apesar do arrefecimento do vírus, a doença continua matando cinco anos depois. A Secretaria Municipal de Saúde informou que no período entre a primeira e a nona semana epidemiológica de 2025 (01/01 a 01/03) foram registrados 224 casos positivos de covid-19 e 2 óbitos em decorrência da doença. Na nona semana foram 42 casos positivos.
Cinco anos depois da primeira morte, covid-19 ainda mata
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